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Maringá, 06 de Fevereiro de 2012

Ela admirou-se da falta de fé

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Foi em Nazaré na Galiléia, na sua terra, que o Mestre ensinou e ficaram admirados, escandalizados e Ele teve que reconhecer: "Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre os seus parentes e familiares. E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. E admirou-se com a falta de fé deles". (Mc 6,4-6)Penso que em certos ambientes, hoje, acontece o mesmo. A falta de fé leva à negação da existência de Deus e consequentemente algo precisa ocupar o lugar que é Dele. Em muitas ocasiões qualquer ideologia, qualquer doutrina, qualquer mestre humano tem falado mais alto e tem tido maior poder sobre a consciência, determinando os comportamentos e atitudes das pessoas.Este ambiente de descrença, misturado com ateísmo leva a pessoa a viver no deserto da vida sem gosto, sem rumo, vagando em busca de um sentido. A ausência de Deus cria na alma humana um vazio de sentidos que leva ao desespero, à negação de tudo o que diz respeito ao sobrenatural.Na medida em que a divindade entra na humanidade, nos tornamos eternos. A experiência de um dos maiores luminares do pensamento humano, Agostinho de Nipona, na obra "Confissões", declara a razão de sua existência: "Tarde te conheci, Senhor, tarde de conheci".A experiência de amizade com Deus feito gente, em Jesus, nos dá a plenitude da realização pessoal e comunitária. A fé é uma experiência que se constrói a cada dia, no cotidiano da dor e da alegria, no saber perder e ganhar, no cair e no levantar, na busca incansável do infinito.Bento XVI em outubro passado dizia: "Precisamente para dar um impulso renovado à missão da Igreja de conduzir o homem para fora do deserto no qual se encontra com destino à vida, para a amizade com Cristo que nos dá essa vida em plenitude, gostaria de anunciar que decidi decretar o Ano da Fé".Neste ano começará, em 11 de outubro, no 50º aniversário do Concílio Vaticano II, e será concluído em 24 de novembro de 2013, durante a solenidade de Cristo Rei do Universo. "Será um momento de graça e de compromisso para uma conversão sempre mais completa a Deus, para reforçar nossa fé e anunciá-la com alegria aos homens de nosso tempo".Diante deste anúncio que o papa fez, o bispo e teólogo Dom Bruno Forte comentou: "Não se pode viver a fé como algo privado, como algo individualista que nos é, de certo modo, alheio à história. O cristianismo não é a religião que nos salva da história, mas é a religião da salvação da história.E isso significa que justamente aqueles que vivem a adesão de fé ao Senhor Jesus, ao Verbo encarnado de Deus, devem viver a fidelidade ao mundo presente – em que se encontram, e a fidelidade ao mundo que há de vir, que é o mundo da promessa de Deus descortinada em Jesus Cristo. A conjugação dessas duas fidelidades é o testemunho cristão. Ou seja, não se torna testemunha da fé saindo da história; se torna testemunha da fé levando no coração da história a experiência do advento de Deus em Jesus Cristo, que nos tocou e mudou o coração e a vida".Quando o Senhor voltar encontrará fé sobre a terra? Essa pergunta feita por Jesus encontrará resposta no coração de cada pessoa humana. Será uma resposta pessoal, porém com consequências comunitárias incalculáveis. O caminho da fé não se faz sozinho e muito menos em momentos. Não fique admirado pela falta de fé dos outros e, sim, busque fazer de sua fé uma experiência de luz e vida no cotidiano de sua existência, assim todos caminharão na luz.Dom Anuar BattistiArcebispo de Maringá


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