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Maringá, 07 de Janeiro de 2010

Tempos e contratempos

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Nos momentos mais inesperados acontecem as surpresas mais agradáveis e também as mais desagradáveis. Começo falando das mais agradáveis como, por exemplo, as visitas de parentes ou amigos, vindos de longe para celebrar o Natal e a passagem para o novo ano. Surpresas agradáveis foram os presentes desejados que chegaram na hora certa. Surpresas agradáveis foram os encontros com pessoas pedindo perdão, reconciliando com o passado amargo dos desencontros. Quantos belos momentos vividos nestes tempos de festa e celebração.
 
Também não faltaram surpresas desagradáveis como, por exemplo, os assaltos à luz do sol nas residências durante o período de viagem. Surpresas desagradáveis ao receber a notícia da morte de um ente querido em acidentes inesperados. Surpresas desagradáveis como a prisão no fim de tarde, por ter abatido algumas pombinhas no roçado. Surpresas desagradáveis como a perda do emprego ou a transferência para outro serviço. Nestes dias as surpresas com as chuvas torrenciais, perdendo vidas e os bens materiais.  Enfim a vida é marcada por  momentos  para os quais,  nem sempre, estamos preparados.
 
O importante é que aconteça o que acontecer, nunca perder a o equilíbrio emocional. Diante de qualquer situação da vida, a calma, o raciocínio, a paciência são companheiras inseparáveis para saber tomar decisões e encarar os fatos com tranquilidade. Estando de férias, vivendo ritmos de total descontração, as surpresas, principalmente as desagradáveis, não podem tirar a paz interior. É claro que ninguém tem “sangue de barata” como dizem; o nervosismo e o desespero são as conseqüências mais sentidas nestes momentos. Mais do que tudo, se faz necessário, um pulo na fé em Deus que tudo sabe e tudo domina.
 
O dom e a capacidade de acreditar no sobrenatural,  se faz valer principalmente nestes momentos das surpresas desagradáveis.  Sejam elas pequenas ou grandes, em tudo somos alimentados pela vivência da fé  que carregamos desde a nossa tenra idade. Não se trata só de superação por capacidade pessoal, ou até por um otimismo eufórico que leva ao conformismo, do “deixa pra lá”. Sempre e em tudo, encarar de frente sem medo e sem desespero, conscientes de que, em tudo, está a mão de Deus.  Como lemos na Sagrada Escritura: “Meu Filho, se você se apresenta para servir ao Senhor, prepare-se para a provação. Tenha coração reto, seja constante e não se desvie no tempo da adversidade. Aceite tudo o que lhe acontecer, e seja paciente nas situações dolorosas. Confie no Senhor, e ele o ajudará; seja reto o seu caminho, e espere no Senhor”(Ecle 2,1-6).
 
Nos tempos e contratempos da vida, faca tudo como se tudo dependesse de você, mas não esqueça:  “Coloque-se nas mãos do Senhor, e não nas mãos dos homens, pois a misericórdia dele é como a sua grandeza” (Ecle. 2,18).
 

 
Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá
 

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